domingo, 6 de setembro de 2009

SAUDADE (1)



















Deus nos deixou a saudade
Para nossa companheira
E ela toda bondade
Não nos larga a vida inteira.

Saudade machuca a gente
Bem junto, no coração.
Ela é doce ... e tão pungente
Mas nos traz consolação.

Anna Nayá Fleury Nogueira - In Mente

Encaminhaddo poe Déa Nayá Joesting Nogueira

SAUDADE - 2




















Saudade dos tempos idos
Saudades do que passou
Dos nossos mortos queridos
Daquilo que a gente amou.

Perfume da nossa vida,
Sem ela como viver?
Mas quando muito sentida
Dela se pode morrer...

Anna Nayá Fleury Nogueira - In Mente

Encaminhado por Déa Nayá Joesting Nogueira

Saudade - 3

















Que coisa linda e tristonha
É uma noite de luar!
Saudades... e a gente sonha...
Dá vontade de chorar.

Que saudade a gente sente
Quando a tarde vai morrendo!
Tons sombrios no poente
Vão a alma entristecendo

Anna Nayá Fleury Nogueira - In Mente

Encaminhado por Déa Nayá Joesting Nogueira

Saudade - 4
























Saudade de um ser ausente
Que consolo e que aflição!
Saudade vai docemente
Machucando o coração...

Em ti eu vejo bondade
Saudade! Eu gosto de ti.
Pois se chego a ter saudade
Dos tempos que não vivi...

Uma flor tristonha existe
Roxa flor da soledade,
Por ser assim roxa e triste
Tem o nome de saudade.

Anna Nayá Fleury Nogueira - In Mente

Enviado por Déa Nayá Joesting Nogueira

Saudade (final)



















A saudade traz o pranto
Traz o suspiro também
Saudade é enlevo e encanto
De um coração que quer bem.

Relembrando a mocidade,
Desse bem que já passou
Bem amarga a saudade
De um tempo que findou.

Saudade está sempre presente
É agridoce emoção
Saudade mora com a gente
No fundo do coração.

Deus, na sua bondade,
Para a dor aliviar
Mandou do céu a saudade
Para a gente consolar.

Recordando...que doce emoção
O coração nos invade.
De onde vem tal sensação?
Do perfume da saudade...

Anna Nayá Fleury Nogueira - In Mente

Apresentado por Déa Nayá Joesting Nogueira

O SÁBIO LIMITA-SE A DIZER: QUEM SABE...

Agravou-se o estado-

Um arrepio domina
Não de frio
Mas de angústia

Assustadoramente deserto
Sente e vê
Mais um dia horrível

Feliz ou infelizmente
Não sei se dormiu
Até a aurora

Imaginem alguém que dorme
E que tentam liquidar... Terrível sono
Ou não prega os olhos... Arrasadora insônia

Sente-se espiado
Por uma presença invisível
E constante

Miguel Eduardo Gonçalves (5/9/09)

NA ROÇA


Na Roça

O sol a nascer atrás do monte
E a passarada a cantar
O murmúrio, a frescura da fonte
E o céu começando a clarear

Cai de manso sobre a terra
Sereno da madrugada
E quanta poesia se encerra
Numa plantinha orvalhada

O céu é rica palheta
A luz do sol no levante
Destaca-se nele a silueta
Da serrania distante

Ouve-se o brando cicio
Da brisa ao perpassar
E lá...doutra banda do rio
Um galo põe-se a cantar

Passarinhos pipilando
Festejam a alvorada
Vê-se além um boi pastando
Junto à curva da estrada

Ouve-se ao longe o chiado
De um velho carro de boi
Lembrança de um tempo passado
De um tempo que se foi...

Bem pertinho da estrada
Uma casa de sapé
Soltando uma fumarada...
Já estão coando o café

Borboletas multicores
E um beija flor, que beleza!
A esvoaçar entre as flores
São risos da natureza

Vai o sol se levantando
Todo luz, todo esplendor
Seus raios a terra beijando
Dão-lhe brilho, vida e calor

O sol já vai esquentando...
Que cheiro bom vem do mato!
As árvores se debruçando
Sobre as águas do regato

Dois cavaleiros trotando
Vêm descendo uma ladeira
Os cavalos relinchando
Numa nuvem de poeira

A gente levanta bem cedo
Para ver o sol raiar
E ouvir o passaredo
Em bando alegre cantar

O mugir da vaca malhada
E um copo de leite quentinho...
Na cozinha atijolada
Um bom café com bolinho

Claras manhãs lá da roça
Cheias de luz e esplendor!
Pois essa beleza é bem nossa
É dádiva do Criador

E o azul do céu se acentuando
Num colorido sem par!
Uma leve névoa flutuando
Insetos bailam no ar

Sai do ninho uma galinha
Bulhenta, cocoricando
E vai mui ligeirinha
O seu ovo anunciando

Ditinha varrendo o terreiro
Pondo-o bem limpo e garrido
Espanta o cavalo matreiro
Sai pra lá, seu atrevido!

Uns pintinhos vão ciscando
Lá no fundo do quintal
Pombas brancas arrulhando
Sobre as telhas do beiral

Na cozinha a Nhá Maroca
Vai cozinhando o feijão
Enquanto moe a paçoca
Num grande e velho pilão

Puxando o balde, a Ditinha
Lá das profundezas do poço:
Vô matá uma franguinha
Tá na hora do armoço

O cachorro perdigueiro
Latindo espanta a gatinha
Que corre pelo terreiro
E se esconde na cozinha

O forno de barro a um canto
Além, o valho paiol
E tudo brilha, tudo é encanto
À luz dourada do sol

A cabra está dormitando
À sombra de um velho telheiro
E uns porcos vão engordando
No cercado do chiqueiro

Na roça a vida é tão boa!
Quanto sossego e fartura
Galinha, frango e leitoa
Milho verde, rapadura...

Feixes da verde cana
E a garapa saborosa
Cachos da boa banana
Madurinha apetitosa

Junto à casa, no terreiro
Viceja florida roseira
Rente a ela um chuchuzeiro
E uma verde e folhuda abobreira

Horta e o jardim reunidos
Num abraço fraternal
Que cheiro bom! É o craveiro
Junto à cerca do quintal

À tarde o sol já tombando
Entre as nuvens do poente
Um vento bom vai soprando
Refrescando a terra ardente

Uma janta bem gostosa
Com virado de feijão
Linguiça frita e cheirosa
E um quartinho de leitão

As laranjeiras floridas
Com seu cheiro adocicado
Ostentam garbosas, garridas
Brancas flores de noivado

O milharal ondulando
Ao vento fresco da tarde
Os frutos vão sazonando
A um sol tão quente que arde!

Um velho monjolo socando
No seu tum tum cadenciado
Quanta coisa vai lembrando
Saudosa voz do passado...

A roda d’agua rodando
No seu constante rodar
A paisagem vai enfeitando
Com seu imponente girar

Que beleza o ribeirão
Entre as pedras saltitando!
Lá em baixo, num grotão
As águas vai despejando...

A tarde morrendo, morrendo...
O céu se tinge em rubores
Num espetáculo estupendo!
Numa apoteose de cores!

E a noite cai sobre a terra
Cobrindo-a de espeço véu
Oh! Quanto mistério se encerra
Nos astros que brilham no céu!

O primeiro vagalume
Qual lanterninha encantada
Fura o negrume da noite
Com sua luzinha esverdeada

Tudo é paz, tudo é silente
Cessando as lidas diurnas
Só se ouve tristemente
O pio das aves noturnas

No terreiro, Nhô Bastião
A velha sanfona empunhando
Com alma e com perfeição
Linda valsa vai tocando

Noites de São João na roça!
Mil encantos, tradição
Bom quentão, festança grossa
Com rezas, fogueira e rojão

Eis o mastro no terreiro
Todo enfeitado de flores
E ao canto milagreiro
Todos rendem seus louvores

Um cafezinho cheiroso
Com bolinho de fubá
E um bate pé gostoso
Pra friage espantá

Viva São João, viva São João!

Noites claras de luar
Tem no mato mais poesia
Fazem na alma despertar
Saudade e melancolia

Então à luz do candeeiro
No doce aconchego do lar
Um café com pão caseiro
E depois... é descansar

A vida é bem trabalhosa
Quer na roça ou na cidade
Mas no sítio é mais gostosa
Mais fartura e liberdade

No tempo da chuvarada
O sítio é desolação!
O marulho da enxurrada
Goteiras pingando no chão

Céu plúmbeo, nuvens escuras
A toldar a luz do sol
Põem na alma mil tristezas
Nem pássaros nem arrebol

Mas as chuvas são amigas
Delas o chão se aproveita
Pondo a crescer as espigas
Dando-nos farta colheita

Até o frio lá na roça
Tem sua compensação
Em noites de geada grossa
Conversar ao pé do fogão

A boa batata assada
No braseiro do tição
E a pipoca arrebentada
Num enorme panelão

Dorme a gata friorenta
Na quentura do paiol
Ui! Que frio! E a velha Benta
Tranca a porta do quintal

E contam-se histórias antigas
E “causos” de assombração
Histórias que são ouvidas
Com arrepio e emoção

Um cafezinho bem quente
Para espantar a friagem
Põe o pessoal bem contente
Dá calor e dá coragem

Depois, é a cama quentinha
E um macio cobertor
Dormindo-se até manhazinha
Um sono reparador.

Anna Nayá Fleury Nogueira – In Mente

Apresentado por Déa Nayá Josting Nogueira

VELHOS CASARÓES


Solarengos casarões coloniais
De grandes salas e de amplos varandões
Erram por eles sombras ancestrais
Mortos que vivem em nossos corações

No tristonho beiral enegrecido
Nas estátuas de louça ornamentais
Nas pinhas, vasos e abacaxis de vidro
Relembram eras que não volvem mais

Velhas sacadas de gradil graciosas
Escadas nobres de antigos sobradões
Lembranças vagas... evocações saudosas
Enchem de mágua os nossos corações

Na solidez austera da estrutura
Nas acolhedoras telhas do beiral
Lembram velhas mansões e a arquitetura
Vinda lá do velho Portugal

Nobreza antiga dos portais lavrados
Grossos batentes de amplos janelões
Salões forrados de papel floreado
E a solene majestade dos saguões

Pelas salas, alcovas e longos corredores
Os grandes móveis de jacarandá
Cintilam cristais sobre os aparadores
A um canto, a rede franjada de puçá

Nas paredes, em molduras doiradas
Velhos retratos dos antepassados
Os consoles, as marquesas torneadas
E o alto piano de castiçais prateados

É noite. Junto à mesa, à luz do lampião
Sinhá moça vai tecendo o seu crochê
Na doçura do lar, à hora do serão
Sinhazinha a medro abre um livro e lê

A vovó na cadeira se embalando
Preso aos dedos o rosário de capim
Vai rezando, cochilando, dormitando
Velhinha e cansada d'um viver sem fim

Na rede a um canto, a mucama entoa
Uma doce cantiga de ninar
A melodia terna no salão ressoa
Calma! Poesia, e a santa paz do lar

Da cozinha vem o baque compassado
Do pilão socando o bom café
Ouço na sala um espirro prolongado
É o Coronel tomando o seu rapé

Que lindas cenas do viver antigo!
A donas curvadas sobre o seus bordados
Sinhazinhas ariscas a espiar pelo postigo
Esperando amorosamente os namorados

Lares de antanho... cheios de recato!
Belos costumes do viver de outrora
Um viver tranquilo, simples e pacato
Tão diferente do viver de agora...

Poéticas rótulas desaparecidas
Grossas paredes de taipas seculares
Onde as vovós viveram recolhidas
Anjos de guarda dos antigos lares

Tempos de antanho, cheios de poesia
Tempos passados que não voltam mais
Tenho saudade da vida de alegria
No velho sobradão dos saudosos pais

Quando recordo esse passado morto
Rígido, austero, rico de nobreza
Esse doce lembrar me põe consolo
Ao coração tão cheio de tristeza

Escrevi estas rimas em 1953

Anna Nayá Fleury Nogueira – In Mente

Encaminhado por Déa Nayá Joesting Nogueira

TROVAS DAS FLORES - parte 1


Fidalga flor da cidade
Florzinha humilde da roça
Se aquela tem majestade
Essa é mais simples, mais nossa

Há flor que ri, flor que chora
Há flores em forma de cruz
Sorrindo a Nossa Senhora
Chorando aos pés de Jesus

Há flores em forma de estrela
Outras há em coração
Do maracujá, triste e bela
É a roxa flor da Paixão

Saudade é flor de mistério
É flor que não sabe rir
Vai com a gente ao cemitério
Quando a gente vai partir

Suspiros! Que tristes flores!
Cor do manto de Jesus
Lembram ais e lembram dores
Lembram chagas, lembram cruz

Perpétua é flor de tristeza
Muito roxa e muito esquiva
Se não tem grande beleza
Está sempre, sempre viva

D’outras flores diferente
É a flor seca, flor que dura
Muito usada antigamente
Pra florir a sepultura

Flor alegre a margarida
Pondo risos no canteiro
Estuante de seiva e de vida
Aos beijos do sol fagueiro

Sempre-viva não fenece
É a flor do bem querer
Do seu bem jamais se esquece
“Hei de amar-te até morrer”

Flor de laranjeira deleita
Flor de muito acatamento
Pois que as noivas ela enfeita
No dia do casamento

As malvas são tão cheirosas
Queridas das vovozinhas
Moravam nas folhas mimosas
Dos livros das Sinhazinhas

Anna Nayá Fleury Nogueira - In Mente

Encaminhado por Déa Nayá Joesting Nogueira

Trovas das Flores - 2


O lírio é flor branca e pura
Simbólica e imaculada
Dos anjos tem a candura
E o calor da madrugada

A violeta é retraída
De corola perfumosa
Entre as folhas escondida
Tão modesta, tão virtuosa

Malvaísco é delicado
Amoroso e muito terno
Pois anda sempre agarrado
Ao verde caule materno

Girassol! Que flor estranha
De grande porte e dourada
Pois o sol ela acompanha
Em sua marcha compassada

A camélia é aristocrata
Branca flor muito formosa
A sorte lhe foi ingrata
Pois não a fez perfumosa

O cravo é flor imponente
De bom aroma e mui bela
Muito usada antigamente
Pra florir uma lapela

É linda a flor de nobreza
Seu aroma é tão gostoso!
Por seu perfume e beleza
É assim... tão orgulhoso

A esponjinha é dourada
Cheirosa como ela só
Vivia sempre guardada
Nas canastras da vovó

Parasita é flor bonita
De colorido que encanta
Mas... vive toda catita
Da seiva de outra planta

É flor rara a parasita
Que soberba que ela é!
Nos galhos se encarapita
Cá no chão...não bota o pé

Trepadeiras...que arrojadas!
Gostam muito de subir
Galgam cercas e sacadas
Não têm medo de cair

Camaradinha é diferente
De subir não gosta não
Ela vai toda contente
Se alastrando pelo chão

Anna Nayá Fleury Nogueira - In Mente

Encaminhado por Déa Nayá Joesting Nogueira

Trovas das Flores - Final


Coração de estudante é vermelha
É de bela floração
A um coração de assemelha
Fala de amor, de paixão

Crisântemo, flor majestosa
Exótica flor japonesa
Que enfeita a gueixa mimosa
Com seu colorido e beleza

A sensitiva é medrosa
Recatada e tão pudica
Basta tocar na mimosa
Fechadinha ela fica

Cravo de defunto é descrente
O pobre...é tão desprezado
E florece tristemente
Em jardim abandonado

Anjo da meia noite enleva
De formosura bem rara
Ama a noite, ama a treva
E ao sol...não mostra a cara

A estrela D’alva é formosa
É flor que do céu caiu
Tão branca, tão perfumosa
Por certo do céu fugiu

A esporinha é bem modesta
Não é soberba nem nobre
Pondo alegrias e festa
No jardinzinho do pobre

Roxo e lindo mal-me-quer
Promessa, anseio, ilusões
“Mal-me-quer ou bem-me-quer”
Iludindo os corações

A hortência é flor majestosa
Grande flor ornamental
Em tons de azul e de rosa
Bela, airosa, sem rival

Miosótis, que flor mimosa
De uma linda cor azul
Cor do céu. Linda, airosa
Flor risonha e tão taful

Bem antiga esta florzinha
Das vovós muito estimada
Adorno da Senhorinha
De sua trança perfumada

Que dizer da fresca rosa?
A excelsa Rainha das flores
A mais bela a mais formosa
Rica em matizes e odores

A agreste flor de São João
Com suas pencas amarelas
Nos mastros, lá no sertão
Se enroscam, garridas e belas

Quando Deus criou as flores
Fê-las de rara beleza.
Elas são nossas amigas
Na alegria e na tristeza

Anna Nayá Fleury Nogueira - In Mente

Encaminhado por Déa Nayá Joesting Nogueira

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

ILHABELA










ILHABELA

Mar entre jardins
A própria cena
Enfeita

Nas árvores-
Batuques ocos de bicos
Entoam tucanos

O vento-
Agita o céu
Enfuna velas

Nos morros-
O agreste da simplicidade
Opõe-se ao luxo das mansões

As sombras-
Azuis
Absolutamente nítidas

Paisagem de imaginação
Onde ao longe
Há um galo sempre a cantar

Onde o tempo
É poesia
Verdadeiramente
Feliz

Miguel

DUNA



De sol vestida apenas
Fascina um bocado e tanto
É fato
Rito próprio
Dos ventos e marés
Um todo só

Miguel Eduardo Gonçalves

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

SURTO...

Sopro forte do vento, horripilante
Timbre viril no sangue, a inconsequência
Presente, é forma vã, grande insolência
Indulta a clara inépcia, num instante

Que não se muda mais, pela insistência
Caos humano, febril e triunfante
No rito de um monólogo lesante
Muda-se um ser, emblema da decência

Por certeza do muito que imagina
Ser a perseguição mal que arruína
Tanto intimida o açoite da desgraça

Que o amargor lhe flui como ravina
São resíduos da vida que disfarça
O que a memória esconde numa farsa

Miguel Eduardo Gonçalves

terça-feira, 1 de setembro de 2009

NUANCE EM TOM MAIOR - MARILÂNDIA IN DUET



















NUANCE// EM TOM MAIOR

Caminho por detrás da pele// Figura grácil de mulher
Que dedos inventam// Esboçando
Pintura// Surrealista

Rude dos ventos// Agrestes, sibilantes
Prenúncio do orgasmo// Espasmos de prazer
Dos céus// Encaixe perfeito

Fragmentos// Em levitação
De rosa// Perolada
Pétalas// Da paixão


Miguel// Marilândia

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

DESINTELIGÊNCIA

Atrás da porta, ante passos furtivos, treme, será de medo?
De súbito um furor tímido deixa escapa-lhe o exasperado, mas só consegue acalmar as batidas surdas de um coração que atordoa o cérebro, com o distinguir coisa nenhuma em palavras que joga ao vento, como se estivesse se relendo. E o pensamento se transforma na medida em que lhe varia o humor entre o racionaç e o irracional!
Do outro lado uma parceria fustigada, em cujo ar de espanto transparece a irritação. Agora, já distante das palavras, que não valem mais, perderam o sentido diante de tanto desvario que retine ao sabor do acidental, este que oscila ao sabor das intempéries que permeiam dias infelizes, em altos e baixos típicos de uma arquejante personalidade quando se vê encurralada diante da sombra, o que resta é acreditar que o verbo cria a imagem, para sem mais indagar, possa declarar que todo o artifício, qual síndrome, é contra o equilíbrio.

No espelho do desespero, o enigma, que não se sabe quem possa desvendar... A família, talvez, e um médico psiquiatra, quiçá, possam ajudar. Quem sabe umas pílulas de lítium!

As pessoas são surpreendentes às vezes, entre as parvoíces acabam por demonstrar a falta de delicadeza dos sentimentos, e misturar no mesmo saco de lixo todos os momentos em que foram realmente enganadas, com aqueles outros, que não precisam estar dissimulados.

Miguel Eduardo Gonçalves

domingo, 30 de agosto de 2009

COISA SECRETA























COISA SECRETA
Desejo inesperado
Goteja
Ginástica
Arrebata
Me põe ansiosa
Em suspense
Alicia
Segundos eternos
Que parecem anos
Como enlouqueço

Miguel Eduardo Gonçalves

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

MINIHAIKAI

Dia sombrio
Olhares vazios
Lago morto

Miguel-

terça-feira, 25 de agosto de 2009

QUERO


















QUERO

Um mínimo verso
Que se baste em si
Jeito de querer demais
Um gole de ti

Quero o ar da sorte
Que haja em mim
Eclosão do amor no máximo
Linguagem una do carmim

E na rima das fábulas
A fração que afiança
Ser o HIT do momento
Uma voz que não descansa

Quero muito além do agora
No segredo dos sábios
A exclusiva tez que enflora
A noite dos teus lábios

Miguel-

sábado, 22 de agosto de 2009

BELA COMO UM ASTRO



Longos cabelos ao vento
Desenrolando-se das espirais

Sangue de menina nas faces

Sua irmã bem poderia ser a brisa
E eu quem jamais a desagradasse

Miguel-

APETITE-


Ao redor
Anseios
E o rito

Miguel-

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

SUMO



Em mais nenhum lugar
A umidade
Estreita o indizível
Procura gosto
No cheiro do mar
Beleza na dança
Que faz rir e sonhar
Erotismo
Que vem pelo vento
E paira no ar

Miguel

MASCULINA

Entre o sono
E a vigília

Que ideia

Miguel-

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

TRAMAS
















Cheiro há que se experimentar
Vivesse na cadência dos rios
E à deriva a vida seguiria
Como se de vento o corpo
Fosse a forma, a substância
E por descuido
De uma janela fechada
A manifestação de fora
Se desse apenas n’alma

Insensível o azul do céu
Ou então o dia escuro
Decifrado dessa forma
Impalpável

E o querido amor
Como a trama do mar
Incalculável paixão
Sonho aventureiro
Real seria e forasteiro
Despontaria
Sem se firmar

Miguel Eduardo Gonçalves

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Carimbo do Teu Cheiro



Ensina-me
A mim, à minha língua
O caminho da nascente
Ao monte arrepiado
Tenho sede
Vulva indecisa
Ardo, por dentro
O sentimento crepita
E por fora a pele clama
O que as mãos reclamam
Incêndio do delírio

Tua Marca Registrada

Miguel Eduardo Gonçalves

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

MINIHAIKAI

Nos pássaros
É primavera
E luz

Miguel Eduardo Gonçalves

domingo, 9 de agosto de 2009

MINIHAIKAI

Um seio
Ergue-se em lua
No céu

Miguel Eduardo Gonçalves

terça-feira, 4 de agosto de 2009

POETRIX

O prazer de ver-

Sem conselheiro outro
Sem outro guia
Que a fantasia

Miguel Eduardo Gonçalves

domingo, 2 de agosto de 2009

POETRIX

DA FECHADURA
A claridade vinha
O menino
Filtrava o furinho

Miguel Eduardo Gonçalves

sábado, 1 de agosto de 2009

HAIKAI

Domínio da arte
Na velhice prateada
Céu de nuvens brancas

Miguel Eduardo Gonçalves

ROSICLER

















Semeando a palestra de semblantes afetados
Sentia conselheiro, que inteiro o seria separar-se
Como reboco da parede, da florzinha os sentidos
Que vira tão sensibilizados
E na grande aparência do bom-senso
De certo modo desprezava a resposta
Que lhe desse o sentido da questão...
Na pauta, a lua onde serpeiam cobras
Serve de lâmpada ao festim
E serenam lindas num jardim
Em meneios vagarosos, sibilinas
No descanso das paixões
A polissemia
Deliciosa

Miguel Eduardo Gonçalves

terça-feira, 14 de julho de 2009

DUELO























Há estas palavras
Que estavam guardadas
Chega de papo furado
É pra valer o ensaio
Dos reais significados
São elas objeto agora
Têm vida própria
Nelas não mando mais
Vê como caem, escorregam
Vão pelas pernas, pelas partes
Como dispo-me em versos, da roupa
E colho-te pra mim
Menina marota
Para estudar-te
Tintim por tintim
Poder descobrir a tal da química
Se me confessa o prazer
Como flashes
Que não param
Há estas mãos

Miguel-

TEZ





















Como se vê
Que há tanto insiste
Motivo em pérolas
De um só olhar
Também sabor do amor
Duas luas de arrasar
Jardim se espreguiçando ao sol
E chama de um breve aceno
É carícia que ilumina o dia

Miguel-

sexta-feira, 10 de julho de 2009

INDIZÍVEL




















No corpo
Plantado
Acontecido

Na boca
Na língua
Na pele

Sói ser um laço
Um nó muito apertado
Um visco

Miguel Eduardo Gonçalves

quinta-feira, 9 de julho de 2009

AGORA!























Um agudo querer
Revelava-se num sonho
Devorando dúvidas
Em cada tesouro fugidio

Uma impertinência perversa
Fora esse recomeço sem fim
Das idéias que se colidiam
E não cansavam de se experimentar

Linguagem muda
Vinha designada para ser ousada
Impressionar os sentidos

Seios plenos da noite
Despojados e lisonjeiros
Como os pensamentos mais carentes


Miguel-

Som Fresco

na vidraça
abelha presa
chuva de asas

balé
lá de fora da janela
a rodear a flor

Miguel-

MINI-POEMINHA


Entre dois
Um desejo

Miguel-

Ao Sopro dos Versos













Forte
A surpresa tira do sério
Como o tempo resvala
Bolero cingindo nervos

Luz que despe tentadora
Veste a mente de torpor
É lide inconteste
Mil cores do amor

Miguel Eduardo Gonçalves

segunda-feira, 6 de julho de 2009

ENTRETECIDA





















Da lira que até perfuma, dá a nota e ri-se
Porque dos versos sabe e quer dizer que não
O desejo não conta o que o invisível diz
Põe-se a caminho, querendo ser pulsação

Na palavra sem nome, guardada sua lida
Demonstrada modéstia, a própria solidão
Depois foi não sei que, e nem por quem é tida
Nas ondas do ir e vir reside a tentação

Eu sei além, porquanto do amar é tocada
A entrelinha revela a sua meta, resolve
Combatente implacável, na mesma toada

Sempre mais faz seu norte tal prazer secreto
Grão germinado do qual não se viu o pólem
Florescendo, revela seu nome correto

Miguel Eduardo Gonçalves

terça-feira, 30 de junho de 2009

SUMÁRIO















Os dedos sabem
Eu também...

Num mar embriagado, em ti
Mudas palavras, perdi-me
No silêncio preenchido, e achei
Nas profundezas mais salgadas, meu vício
Como afago ao pensamento, prazer agudo
Tuas ondas em furor danado, e meu mundo
Em fulgor despido aconteceu
São cor de quimeras, como estrelas a piscar

Miguel E Gonçalves

sábado, 27 de junho de 2009

Ao acaso




A noite entrecortada
Calada no episódio
Olhos semisserrados
Era triste assim

A sombra do nada
Entre quatro paredes
Um quarto sem palavras
Cheio de vazio

Miguel E Gonçalves

quinta-feira, 25 de junho de 2009

POETRIX























SEDUÇÃO

Em alívio
Derrete o coração
Em vício, a paixão

Miguel-

quarta-feira, 24 de junho de 2009

MINI-POEMINHA












Você me ama?
Prova.

a. Miguel-

MINI-POEMINHA






















Gostas?
Teu respirar responde!

a. Miguel-



OBSERVAÇÃO:
Mini-Poeminha acaba de ser inventado pelo poetamigo Renato Baptista.
A sequência chamar-se-á POEMINI... Deve ser acompanhado de imagem.
A imagem é o título e são 2 versos com no máximo 12 sílabas poéticas no total...
Pode-se fazer uma sequência que conta uma história (POEMINI),
aí deve ser identificado por um título e numerado.

FÊMEA


















Em gotas cintilando
Ainda, exibe
No esplendor dos rastros
Leve aroma

Dilui-te nessa perspectiva minha
E vem, avassaladoramente
Causar estado

-Sê
Atrai-me
O que és

Miguel Eduardo Gonçalves

terça-feira, 23 de junho de 2009

PROCLAMAÇÃO






















EM TI

Resido momentaneamente
Mil vezes
E um quê de proximidade
Medido em oceanos
Toca exausto que ferve

SEI-TE

Na pele o sentir
Lento e saboroso
Como se fossem
Dois mundos um só

E TE VEJO

Tempero
Sensível carícia
Caminho sem volta

ALMA ENSOLARADA

Invenções da vida
Que ao tempo seduz

FRENTE A FRENTE

Palco de uma flor

Miguel Eduardo Gonçalves

segunda-feira, 22 de junho de 2009

POETRIX - A FAVOR























A FAVOR

No mínimo
O desejo
Máximo

Miguel E Gonçalves

domingo, 21 de junho de 2009

SONETO - (Se a vida......)


















Se a vida passageira é a que vive
Por onde sei que a incerteza se agita
Qual do amanhã segredo em que não estive
Sonhado sonho, brilhante pepita

Neste pensar em que o tempo inclusive
Ao lado inexistente de uma vida
O amor procure como detetive
Por tal trajetória tão perseguida

Como clareia o sol e faz-me crer
Descortina-se um novo amanhecer
Teatro numa nova temporada

Notas que fazem a paixão valer
Que em frasco de perfume raro nada
Um certo olhar que acende a madrugada

Miguel Eduardo Gonçalves

sexta-feira, 19 de junho de 2009

HAIKAI


















Entre a copa alta
da árvore, o frescor
da terra flutua

Miguel

quinta-feira, 18 de junho de 2009

BRANDO E SALGADO














Gosto de lágrima
De corpo e de alma
Perfume selvagem

Emoldurado em fogo
Distinto, em fundo de ouro
Do ceú distante

No ar fresco do mar
Paladar de sabor marinho
Longo Beijo...


Miguel E Gonçalves

HAIKAI

Noite enluarada
Como seta prateada
Raia o peixe-espada

Miguel

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Elegia























Na perfeição de todas as flores
Tão somente o simples
É tão perfeito quanto elas

Nem precisa ser melhorado
Existência pacífica
Riqueza do mundo

Por caminhos desconhecidos
Foste alto, sublimidade
Ensinaste ao coração

Para sentir a intuição
No profundo do mistério
De alimentar as ficções


Miguel E Gonçalves

photo photosight.ru

terça-feira, 16 de junho de 2009

LUA NEGRA























No vácuo do sentido
Entre a palavra e o dizê-la
Calada no pensamento
Uma idéia dispersa, incerta
Como um céu negro sem estrelas
E viúvo de luar


Miguel Eduardo Gonçalves

domingo, 14 de junho de 2009

Traços de Família

(Neném Davi)

Cálida pele nua de criança
Amada, gota só de luz consiste,
Que beleza em arco-íris deriva
Eclosão de flor, na terra dos sonhos...

Dormido sono de cantiga, dança,
Despertar mais puro, nenhum mal triste
Da noite: clara, estrela e tão cativa,
Fulgor será dos ares, tão risonhos.

Retrato pintado à tinta de sol,
Caricioso perfume-verão,
Florido halo, esplendor-girassol!

Recordação que não basta à ilusão,
Vejo-te reflexo sob o lençol,
Imagem da memória a prestação.

Miguel Eduardo Gonçalves

sexta-feira, 12 de junho de 2009

MIRA... MARÉ...


















Vai além qual pássaro
Desaparecer domando os ares

No azul da luz mais fina
Não vás na sutileza
De pérola dos mares

Sê perfume que à musa faça
De cenário um castelo, ou palco
Das nuvens no horizonte
A perceber que flui do céu em fantasia
Aliás, como das flores o aroma
Que domina a imensidão divina

Miguel E Gonçalves

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Duplix com a poetisa Jô Tauil




















NA JANELA // SONHADORAMENTE

Olho lá longe / / Faceadas
Pela vidraça embaçada // Vejo miragens
Das minhas fantasias // Bem reais

Maria José Tauil // Miguel E Gonçalves

quarta-feira, 10 de junho de 2009

MANUSCRITOS













Dos cabelos espetados
No frescor dos cachos
Onde me escondo e repouso

Mágoa rara aberta
Estagna-se no céu
Luz harmoniosa

Eis minha quimera
Um bando de sonhos lindos
Que eu sempre quisera

Miguel Eduardo Gonçalves

terça-feira, 9 de junho de 2009

PERCEPÇÃO

Aquela visão
Imensa
Deslumbrante
Pela extensão da paisagem
Que sob uma bruma leve
Exalava da terra
Como carícia
Contornava as colinas

Na pele
Era odor das seivas
Como alegrias inexploradas
Que só a alma pressentia

Miguel E Gonçalves

domingo, 7 de junho de 2009

DÉCIMOS DE CARÍCIAS
















Vem cá, delírio, sem palavras, olha
Com esses belos olhos curiosos
O estado em que me deixas a teus pés
Faz-te nascer vontade poderosa
Porque há sempre no sentir tão pleno
Ar poderoso que a certeza tem
De perceber o quanto és manhoso
Quando ignoras da paixão o brilho
Que neste sutil beijo te transmito
Privado entre os meus dedos teu prazer

Miguel E Gonçalves

sexta-feira, 5 de junho de 2009

GESTOS DOCES - EM DUETO DE MARILÂNDIA















Coração tempere// Não basta fechar os olhos
O singular do tempo// Cuja eternidade me assusta
Onde se goze a luz// Entre promessas e delírios
Primaveril// De varais estendidos
Como o nascer do sol// Coro de vozes da alma
Percorre// Cantando comigo
O íntimo de mim// Aplaudindo a vida minha.

Miguel// Marilândia Marques Rollo

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Sem Entraves



Aromas e Sabores
Entranhas
Sangue

Desejo Arde
Em Aromas
Verdade

De Sentir
Capaz, Faces
Demais

Miguel E Gonçalves

terça-feira, 2 de junho de 2009

SEGREDO






















Como saliva
A chuva toca o telhado
Lambe o silêncio...

O vento bate a porta
Bem longe
Um susto no tempo
Quando o caso é passado
Aqui dentro
Na cama
Jogando conversa fora

Enquanto o telefone toca
Aquela história
De quase vingada
Enche o quarto de nós
Chiados sussurrantes
No perfil de vozes
São pequenos nadas
Que se entreolham
De novo
Abafando o calor
Desse namoro
Guardado a sete chaves

Miguel E Gonçalves

VENDO O MAR
















Destarte
Aos encantos
Respondo

Embora
Sem regras
Menina

Sonata
Ao amar
Compondo

Miguel E Gonçalves

segunda-feira, 1 de junho de 2009

POESIA
















volto para ser o tema
parece que rastreio pegadas
mas não é isso não

venho para desmistificar
porque raciocino assim
unicamente poeta

preservo o adeus
detesto
o abandono do adeus

a vida planta-se
pérola
ofertada

dela
viramos memória
plena, ou inacabada

julga-me, pois
misturada a uma estrela
ou ao sangue de cicuta

miguel eduardo gonçalves

FIBHAIKU - (Nada...)


Nada
Tendo
A lua
Tudo ousa
Na forma do tempo
Em diadema incerto ela pousa

Miguel Eduardo Gonçalves