quarta-feira, 2 de setembro de 2009

SURTO...

Sopro forte do vento, horripilante
Timbre viril no sangue, a inconsequência
Presente, é forma vã, grande insolência
Indulta a clara inépcia, num instante

Que não se muda mais, pela insistência
Caos humano, febril e triunfante
No rito de um monólogo lesante
Muda-se um ser, emblema da decência

Por certeza do muito que imagina
Ser a perseguição mal que arruína
Tanto intimida o açoite da desgraça

Que o amargor lhe flui como ravina
São resíduos da vida que disfarça
O que a memória esconde numa farsa

Miguel Eduardo Gonçalves

Um comentário:

marilandia disse...

Poeta dos versos de ouro, querido Miguel, acrescentas a tua fabulosa coletânea mais uma preciosidade.
Beijo com carinho.
Marilândia